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Pesquisa: 40% dos consumidores nos EUA acham dispensável ter carro próprio

Tendência leva cada vez mais marcas a oferecer serviços de assinatura

Por GLAUCO LUCENA

Não é novidade que as novas gerações já não têm o mesmo fetiche das anteriores por ter um carro pra chamar de seu. Mas a velocidade com que os costumes na área automotiva estão mudando chega a ser assustadora. Pesquisa divulgada ontem nos Estados unidos pela Cox Automotive (e divulgada pela agência Automotive News) revelou que 40% dos 1.250 entrevistados disseram não ver necessidade de ter um carro próprio, embora julguem importante o acesso a esse tipo de transporte. Para os entrevistados de grandes centros urbanos, 57% disseram que a propriedade de veículos particulares já não é fundamental para ir do ponto A ao ponto B.

Mobility network expands: Audi on demand launched in the UK
Audi acaba de lançar serviço de assinatura em três cidades do Reino Unido

Para 50% desses consumidores, o custo de possuir ou alugar um veículo está se tornando muito alto. Mas eles não descartam a necessidade de usar automóveis, seja por meio de aplicativos como Uber, seja  por meio de serviços de compartilhamento. E estamos falando dos EUA, berço da linha de montagem automotiva, onde muitas cidades importantes sequer têm calçadas para pedestres ou serviços eficientes de transporte público.

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O desinteresse das novas gerações pela compra de carros tem alarmado a indústria automobilística, a ponto de muitas marcas estarem apostando em serviços de assinatura, uma espécie de Netflix automotivo. No caso, o cliente paga uma mensalidade que dá direito a usufruiu de toda ou parte da linha de uma marca, quando e onde precisar. Nos EUA, Cadillac, Porsche, Mercedes-Benz, Audi e BMW já oferecem esse serviço em algumas regiões, em forma de experiência. E há serviços independentes multimarcas faturando com isso em algumas cidades americanas.

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Flex Wheels é um plataforma multimarca que opera na Flórida. Um motorista leva e recolhe o carro desejado onde e quando o assinante precisar

Na Europa essa prática é mais rara, mas a Audi acaba de lançar o serviço Audi on Demand em cidades da Alemanha e do Reino Unido. Por enquanto, essa tendência de carros por assinatura só chegou a marcas premium, mas em breve poderá ser adotada por marcas generalistas, com valores mais em conta.

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De acordo com a pesquisa da Cox, 40% dos entrevistados disseram que usam regularmente serviços de Uber e similares, um aumento de 77% em comparação à pesquisa de 2015. Já o compartilhamento de carros e os programas de assinatura estão apresentando um crescimento mais moderado, alimentado pelos consumidores mais jovens.

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Porsche Passport já funciona co sucesso em Atlanta há quase um ano

Em vez de forçar os consumidores a comprar um veículo que tenta atender a todas as necessidades de direção, os programas de assinatura dão aos clientes acesso a diferentes veículos para cada ocasião. Um quarto dos consumidores entrevistados disse estar ciente dos serviços de assinatura de veículos oferecidos pelas montadoras e grupos de revendedores, sendo que 10% se dizem abertos a um serviço de assinatura, em vez de comprar ou alugar um veículo.

 

 

Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

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