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Tata Nano: chega ao fim o sonho do carro mais barato do mundo

Talvez você até já tenha se esquecido dele, mas há 10 anos ele foi lançado com alarde global como o carro mais barato do mundo. Me refiro ao Tata Nano, que acaba de sair de linha na Índia, como informa agência de notícias Bloomberg. Segundo ela, a morte do Nano não foi confirmada oficialmente pela montadora, mas os números de produção não deixam dúvida: a indiana Tata Motors (dona da Jaguar e da Land Rover) produziu apenas uma unidade em junho, ante 275 no mesmo mês do ano passado. As exportações foram zero, contra 25 em junho de 2017. A empresa reconheceu que o carro de US$ 3.500, em sua forma atual, não deverá ir além de 2019.

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O magnata indiano Ratan Tata, dono da empresa que leva seu sobrenome, apresentou o Nano em salões internacionais em 2008, cercado de grandes expectativas

O fim de “carro do povo”, como a Tata Motors o chamou em 2008, traz várias lições para as montadoras: de nada adianta cortar custos até o osso se o resultado final for um veículo de má qualidade com risco de pegar fogo. Num país onde as pessoas andam de motocas, bicicletas e tuc-tucs, a Tata achou que o Nano seria um passo adiante na mobilidade. Isso não ocorreu. O fracasso do Nano contrasta com o resto do mercado indiano de carros, um dos que mais cresce no mundo, mas ainda bem longe dos carros híbridos e elétricos.

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O muito elogiado Nano – saudado como um “marco na engenharia frugal” – ficou aquém da segurança, correu atrasado e produziu questionáveis ​​resultados de testes de colisão.  Mas a Tata continua esperançosa. Um porta-voz do grupo disse que o Nano “pode ​​precisar de novos investimentos para sobreviver”. No entanto, as evidências sugerem que a busca pelo menor preço acima de tudo foi mal concebida.

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Problemas de qualidade e segurança colocaram em xeque os planos globais do Tata nano

A ideia de reformular o Nano como um veículo elétrico para a venda de frotas já foi lançada pelo grupo, mas não parece factível que uma marca de baixo custo consiga vingar com uma tecnologia de altíssimo custo. Ao que tudo indica, o sonho do carro mais barato do mundo morreu esquecido, com apenas 10 anos de idade.

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Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

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