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Internet das Coisas cada vez mais presente na linha de montagem

Quem ainda não conhece o termo IoT, que abrevia “Internet of Things”, ou, em português, Internet das Coisas, pode ter certeza de que apenas o nome escapa, mas não a tecnologia em si. Isso porque a IoT cada está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Não seria incrível se a sua casa regulasse automaticamente a temperatura do ambiente com base no clima do lado de fora e nas suas preferências pessoais, por exemplo?

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Marcelo Lima, coordenador do Manufacturing 2020 na FCA

Mas, para além da melhoria da qualidade de vida, a IoT tem papel fundamental na produtividade dos negócios que se alinham ao conceito de Indústria 4.0, onde ela ganha o termo “IIoT” (“Industrial Internet of Things”) e promove a conectividade e integração de sistemas processo produtivo, como ocorre nas fábricas da FCA, seja na produção de modelos da Fiat, da Jeep, de motores ou de outros componentes. “A Internet das Coisas é uma rede de objetos com tecnologia embarcada capaz de coletar e transmitir dados, como sensores, atuadores, sistemas lógicos”, explica Marcelo Lima, coordenador do Manufacturing 2020, laboratório para desenvolvimento e teste de novas tecnologias da Indústria 4.0 na FCA. “A IoT tem a função receber e transmitir informações para serem estruturadas em nuvem e tratadas para uma aplicação inteligente em diversos tipos de processos e situações”.

Lima considera que a evolução do recurso confere aos processos produtivos maior rapidez na tomada de decisão – por conta da precisão de informações –, mais agilidade no cotidiano das fábricas e melhorias de qualidade. “Existem, na FCA, projetos e programas globais para a implementação cada vez mais robusta da Indústria 4.0. Muitas tecnologias embarcadas são soluções de IoT”, conta. Na 4ª Revolução Industrial, há um salto expressivo de evoluções tecnológicas na manufatura, envolvendo, por exemplo, análise de dados, robótica, realidade virtual e a presença definitiva de aparelhos conectados (hardware), com sensores que enviam dados em tempo real em soluções (software) para garantir maior controle dos processos e ações mais eficazes.

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Diego Bolina, analista de Tecnologia da Engenharia de Manutenção

O primeiro impulso é pensar que algo tão positivo para a manufatura demanda um grande investimento, certo? Nem sempre. Prova disso é o sistema de monitoramento do barramento flexível da pinça de solda automática da Funilaria. Não se assuste com o nome. Essa “rebimboca” apenas conecta o equipamento à equipe de manutenção em tempo real, uma solução de IoT desenvolvida pelo próprio time da FCA no Polo Automotivo Fiat, em Betim (MG). Nessa etapa da produção de um carro, chapas de aço são unidas por meio de soldagem para formar a carroceria do automóvel. Quem faz essa junção são as pinças de solda, tendo cada uma dois barramentos que conduzem corrente elétrica por meio de seus filamentos, do transformador até a extremidade dos eletrodos. A solução de IoT atua monitorando a temperatura desses componentes, além de outros parâmetros, e alertando imediatamente a manutenção no momento em que o barramento precisa ser trocado.

Diego Bolina, analista de Tecnologia da Engenharia de Manutenção e um dos nomes à frente do projeto, explica como a coisa funciona, frisando que o processo é bem simples, mas muito eficiente. “Um sensor de temperatura é instalado no barramento da pinça junto a um microprocessador Wi-Fi. Quando o componente alcança a temperatura limite monitorada pelo sensor, o microprocessador envia essas informações para um aplicativo”, conta. “A partir de então, o time de manutenção é informado por e-mail da necessidade de troca do barramento, agindo com rapidez”, completa. Anteriormente, os filamentos eram trocados preventivamente, o que fazia com que muitas das peças fossem descartadas antes da hora. Agora, nas estações em que a tecnologia está instalada, o componente é substituído quando há o aviso, evitando também paradas na linha de produção. “Há incremento na qualidade do produto em si, por se tratar do monitoramento de um componente que tem influência direta na qualidade do ponto de solda”, explica.

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Eletricista Álvaro Ramos Neto desenvolveu aplicativo de monitoramento

Mas e o investimento? “O custo do protótipo, ou seja, o investimento inicial, foi de menos de R$ 100”, revela Álvaro Ramos Neto, eletricista de manutenção que desenvolveu o aplicativo de monitoramento. “As pessoas geralmente associam os pilares da Indústria 4.0 a soluções muito caras”, completa.  Ele lembra, ainda, que a iniciativa permite a otimização da rotina dos funcionários da manutenção, que dispõem agora de mais condições para trabalhar em ações estratégicas, como em desenvolvimentos de projetos.

Com interface simples e de fácil compreensão, baseada em gráficos e pensada para agilizar a interpretação de dados pela equipe, o aplicativo desenvolvido por Álvaro permite que dados sejam armazenados na nuvem e gerem relatórios fundamentais para antever situações e tomar decisões com mais segurança. “Se o sistema percebe que a temperatura do componente está subindo um mesmo tanto todos os dias, consegue prever em quanto tempo a peça vai entrar em colapso. Assim, certas condições podem ser controladas e, ações, agendadas”, explica. A partir dos relatórios no banco de dados, é possível até mesmo fazer inferências sobre variáveis, como condições climáticas e diferença de desempenho da peça entre fornecedores, por exemplo.

Álvaro diz que sistema semelhante está sendo implantado no painel elétrico dos robôs da Funilaria, no intuito de monitorar a temperatura e controlar o ar-condicionado, necessário para evitar danos por superaquecimento. Lima credita o avanço das soluções de IoT na manufatura ao aumento da massa crítica e capacitação do capital intelectual da FCA. “Com planejamento potente envolvendo treinamentos técnicos e interpessoais, estamos trazendo uma mudança de cultura aos nossos processos para acompanhar a Indústria 4.0”.

Fonte: MUNDO FCA

Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

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