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Estudo mostra países mais preparados para receber carros elétricos

Brasil é um dos países que teria mais condições de gerar energia limpa, mas pouco faz a respeito da eletrificação

 

Embora no Brasil os carros elétricos e híbridos ainda sejam caros e raros, eles já são uma tendência irreversível em vários mercados globais, como aponta o estudo “Power Play: como os governos estão estimulando a indústria de veículos elétricos”, divulgado hoje pelo Conselho Internacional sobre Transporte Limpo. A conclusão é que, embora a indústria automobilística esteja dando os primeiros passos nessa direção, grandes empresas já se aproximam de economias de escala com mais de 100.000 veículos elétricos por ano.

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Os planos em veículos elétricos já anunciados pelas montadoras somam US$ 150 bilhões e devem gerar vendas de mais de 13 milhões de unidades por ano até 2025, o que equivale a uma taxa de crescimento anual composta de 35%.  Estas são algumas das conclusões do estudo que analisa o mercado global de veículos elétricos, incluindo a avaliação dos principais fabricantes e as políticas de apoio implementadas para estimular esses investimentos.

Por trás destes números estão políticas públicas que favorecem tanto o lado do consumidor quanto o dos fabricantes. Até o momento, 75% dos veículos elétricos vendidos foram fabricados na mesma região em que foram comercializados, mostrando a importância das políticas do lado da demanda, para reduzir as barreiras e aumentar o mercado, e os regulamentos e a política tributária para impulsionar simultaneamente os investimentos industriais. Atualmente os três principais mercados para veículos elétricos no mundo – China, Europa e EUA — são também onde a maioria dos veículos elétricos é produzida.  Com base nos anúncios de fábricas de baterias até hoje, espera-se que a maioria das manufaturas globais de células de bateria estejam na China. Hoje, Japão e Coreia do Sul lideram a produção de baterias.

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“Quem quiser fazer o mercado avançar na mudança para carros elétricos deve buscar políticas que quebrem as barreiras dos consumidores e que também estimulem as grandes empresas a investir”, destaca Nic Lutsey, co-autor do estudo. “O mercado está avançando rapidamente e os governos líderes podem garantir que suas indústrias estejam à frente com políticas de longo prazo para veículos elétricos e baterias.” Para o vice-presidente da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič, “as baterias estão no centro da revolução industrial, e o desafio de criar uma indústria de produção de baterias competitiva e sustentável na Europa é imenso.”

E o Brasil?

O Brasil, obviamente, não aparece no radar deste estudo. Além de não produzir carros elétricos, o país não estimula as vendas desses modelos importados. O que chega a ser um contra-senso, pois o Brasil é um dos países que produz energia elétrica de forma mais limpa no mundo, quase totalmente com fonte hídrica. Países como China e EUA, que lideram a corrida da eletrificação, ainda usam muita energia elétrica gerada por queima de carvão, o que reduz em grande parte as vantagens de se rodar com um veículo não-poluente.

CONFIRA DOSSIÊ AUTOBUZZ COM OS PRÓS E CONTRAS DOS CARROS ELÉTRICOS

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Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

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