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Concessionárias nos EUA começam a entrar no ramo do “Netflix automotivo”

Por GLAUCO LUCENA

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Abril de 2018 ficará marcado na história da indústria fonográfica. Pela primeira vez, o faturamento por streaming de música (assinatura de aplicativos como Spotify, Deezer, etc) superou em faturamento as vendas de CDs, discos de vinil (sim, eles voltaram à moda) e downloads musicais. O que isso tem a ver com o varejo automotivo? Mais do que você imagina. Com faturamento em baixa, muitas concessionárias nos EUA estão apelando para serviços automotivos por assinatura, semelhantes a esses aplicativos de música ou ao celebrado Netflix.

O caso mais famoso nos EUA está completando seis meses, e ainda não atingiu o brake even point (valor exato no balanço financeiro onde a receita cobre os custos fixos e variáveis), mas já se aproxima disso. Trata-se do serviço FlexWheels, que opera em boa parte da Flórida. Por meio dele, o assinante baixa o aplicativo e paga uma mensalidade que varia de US$ 1.200 a US$ 2.800 para ter à sua disposição carros de marcas como Porsche, Lexus, Jaguar, Land Rover, Maserati, BMW, Mercedes-Benz, Audi e Cadillac.

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Há planos mensais, semestrais ou anuais (os custos caem para planos mais longos). Durante o mês, o assinante pode fazer até três trocas de carro. Basta escolher o modelo, e um motorista de luvas brancas deixará (ou trocará) o carro no endereço escolhido – limpo, abastecido e com seguro total.

A iniciativa é do Warren Henry Auto Group, um gigante local do setor de varejo automotivo.  O Grupo aprendeu que o modelo de negócios não é rentável até que alcance escala considerável. Assim, está tentando torná-lo mais lucrativo criando uma plataforma que possa ser vendida a outros revendedores, o que também pode evitar que os varejistas sejam marginalizados pelos programas de assinatura criados por algumas montadoras. (CLIQUE PARA CONHECER)

A plataforma da FlexWheels vai fornecer suporte operacional, financeiro e de seguros. Também permitiria que os revendedores administrassem os veículos que eles usam para locação ou serviços de compartilhamento. A FlexWheels cresceu de 20 assinantes em seu lançamento para 72 neste mês. A empresa calcula de 100 carros seria o ideal para tornar a operação lucrativa.

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E no Brasil? Essa modalidade ainda não existe, mas pode ser uma opção interessante para grandes grupos de concessionárias com presença em vários grandes centros. Os grupos Saga e Parvi, por exemplo, venderam em 2017 cerca de 75 mil carros cada – volume de vendas na Nissan, a 9ª colocada no ranking de marcas. Para eles, lançar um serviço de assinatura semelhante ao FlexWheels americano seria até mais fácil do que o eventual serviço oferecido por alguma montadora.

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Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

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