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No mês em que se comemora o 4×4, o que esperar do futuro dos modelos off-road?

Por GLAUCO LUCENA

No dia 4 de abril foi celebrado o dia internacional do 4×4 (4/4, captou?). Com a recente febre dos SUVS, o mundo do 4×4 nunca esteve tão em evidência, embora a maioria dos modelos vendidos com essa alcunha não ofereça tração 4×4 nem com opcional. Mas a oferta sem dúvida aumentou, sobretudo com a dupla Renegade e Compass, da Jeep, que oferece versões a diesel com tração nas quatro rodas. Mas será que os 4×4 combinam com as mais modernas tendências do mundo sobre rodas?

Mitsubishi

Você consegue imaginar um carro elétrico e/ou autônomo no meio de uma trilha? Nem pensar. Compartilhamento de jipes? Difícil. Em toda revolução, sempre há um foco de preservação do jeito antigo de se fazer as coisas. E no mundo dos carros esse papel caberá aos modelos off-road, mais até que os superesportivos. Por que falo isso? Até Ferraris terão de conviver com carros autônomos nas ruas e estradas, e só poderão usar toda sua capacidade em circuitos fechados. Já os verdadeiros 4×4 continuarão sozinhos e soberanos em seu habitat natural – as trilhas, as estradas de terra, de mato, de areia, de riachos, de pedras.

O fenômeno será semelhante ao que aconteceu com os cavalos, que eram o principal meio de transporte individual até o advento dos casos, na virada do século 19 para o 20. Hoje, quem quer cavalgar ou o faz na natureza ou em locais fechados, os haras. Com o carro, num futuro não muito distante, quem quiser pilotar à moda antiga terá de fazê-lo em “haras automotivos”. Ou pegar seu modelo 4×4 e curtir a natureza.

[AUTO - 4]  DIARIO/AUTO/1_MATERIAL ... 07/12/15

A indústria sabe disso e tem explorado cada vez mais esse imaginário de liberdade e resistência representado pelos veículos fora-de-estrada. Marcas especialistas em veículos 4×4, como Jeep, Land Rover, Mitsubishi e outras, têm uma vantagem competitiva enorme frente às marcas generalistas, que também estão investindo em modelos de uso misto.

É claro que os modelos 4×4 já não são de raíz como antigamente. A eletrônica faz quase tudo pelo motorista. Desce ladeiras, joga a força de tração para qualquer uma das rodas, ajusta a suspensão ao tipo de terreno, etc. Mas há uma interação do motorista que não pode ser dispensada. Escolhas a serem feitas na natureza mutável, algo que um computador do carro só poderia fazer se houvesse cabeamento, sensores e outros recursos instalados no meio da trilha – algo inconcebível.

Nissan_Frontier

Mudanças culturais no mundo off-road

Não é difícil imaginar o seguinte cenário em algumas décadas: um profissional bem-sucedido usa transporte alternativo durante toda a semana, mas mantém na garagem um valente SUV 4×4 para sair da rotina em alguns finais de semana ou feriados. Se alguns recursos da era digital não vão chegar aos veículos verdadeiramente 4×4, algumas mudanças culturais poderão ter consequências no modelo de negócio. Por exemplo: existe algo mais frustrante do que ter um super-off-road na garagem, e não poder usá-lo numa viagem de férias em um lugar distante, onde ele seria especialmente útil?

Cherokee_Moab

As marcas desse segmento que quiserem cativar clientes terão de criar planos semelhantes aos programas sócio-torcedor dos times de futebol. O cliente paga uma taxa mensal para ter um plano de abrangência nacional ou internacional, para ter um veículo 4×4 igual ao seu em qualquer viagem de estilo aventureiro, seja no Jalapão, na Patagônia ou nas montanhas do Colorado (EUA). Enquanto isso, seu carro fica numa revisão de férias e é entregue no aeroporto, na volta da viagem.

Isso é o que se espera de uma marca de veículos off-road num mundo conectado. Inteligência e bons serviços no atendimento. Mas com um jeito rústico de dirigir, sem grandes concessões às modernidades.

 

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Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

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