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Mercedes-AMG GT R: a melhor festa de 50 anos do mundo!

Por GLAUCO LUCENA

Como seria rodar com um bólido de 585 cv no trânsito de São Paulo? Foi essa a missão a mim designada. Eu merecia tanto? Certamente não, mas meu amigo Marcus Vinicius Gasques, diretor da revista Autoesporte, cismou que sim, talvez um presente pelos meus 50 anos. Dei essa sorte, nasci no mesmo 1967 em que foi criada na Alemanha a AMG, a mais célebre preparadora de carros esportivos do planeta – desde 2005 uma divisão própria da Mercedes-Benz. A efeméride “50 Years AMG” está devidamente estampada no capô desse Mercedes-AMG GT R.

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Minha comemoração foi ter esse brinquedo por dois dias. Trabalho, mercado, jantar com a esposa, shopping… Já imaginou como seria a sua rotina a bordo de um cupê gestado para as pistas de corrida? Provavelmente parecida com a minha, então viajemos juntos!

O início da relação é um tanto desafiador. Começando com a ginástica para entrar e se acomodar numa posição quase de pilotagem, muito deitada e próxima ao solo (sair é ainda mais complicado). Depois, a fase de decifrar a infinidade de comandos no console, painel e volante. Há botões para mudar o comportamento do carro, ajustar a distância do solo, regular amortecedores, desligar controles de tração e de estabilidade…

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Como só iria rodar na cidade, aceitei toda a ajuda eletrônica disponível e deixei todos os controles no modo conforto – se bem que esse conceito é relativo numa nave como essa. O desafio seguinte é se acostumar com os limites físicos do carro. Até onde vai aquele narigão verde que esconde o bloco 4.0 V8 e as duas turbinas? Sim, há um aviso sonoro de obstáculos, mas às vezes ele some frente ao ronco ardido do motor, pelo menos para ouvidos cinquentenários. O ângulo de esterço também não é o forte desse cupê de mais de 4,5 metros de comprimento. A tensão em manobras de estacionamento é inversamente proporcional à segurança que ele passa em estradas sinuosas, mas felizmente não falta gente disposta a ajudar com acenos.

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Começo a suar dentro do carro, num gélido fim de tarde paulistano. O calor gerado pelo ignorante V-oitão invade a cabine, por isso é mandatório manter o ar-condicionado acionado. O passo seguinte é se acostumar ao fato de que um carro desses não foi projetado para superar a inclinação do calçamento nas entradas e saídas de garagem. Muito menos enfrentar valetas, lombadas e crateras no asfalto. Aliás, a suspensão transmite para a coluna do motorista até mesmo os olhos de gato das pistas. E dá-lhe pancadas secas que vão do cóccix ao crânio. Mas e daí, estamos em festa, certo?

E é festa mesmo! O GT R causa alvoroço por onde passa, como se um óvni colorido tivesse pousado na metrópole monocromática, de muros e carros pretos ou cinzas. Ele não disfarça em nada com a pintura verde-clara, batizada de Green Hell Magno, em referência ao apelido do circuito alemão de Nürburgring – inferno verde, pela vegetação ao redor da pista onde a AMG se consagrou nas últimas cinco décadas. O grande aerofólio preto também não prima pela discrição, muito menos as rodas aro 19 polegadas na dianteira e 20 na traseira. A enorme grade de 15 aletas horizontais parece o protetor bucal de um lutador ensandecido. Tudo nesse Mercedes chama a atenção!

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Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

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