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De olho em fusão, Nissan quer comprar 15% que governo francês tem da Renault

A Aliança Renault-Nissan, que recentemente incorporou a Mitsubishi, é um sucesso em todos os sentidos. Não por acaso, é o grupo que mais vendeu automóveis no mundo em 2017 ( incluídos os veículos pesados, o Grupo VW, dono da MAN e da Scania, lidera). Apenas uma coisa incomoda o lado nipônico (e mais rico) da Aliança: a excessiva influência do governo francês, um dos maiores acionistas da Renault.

Mas isso pode mudar em breve. Depois de 19 anos de parceria, a Nissan pode finalmente ter a chance de ampliar sua participação sobre a aliada francesa, caso o governo da França concorde em vender sua participação de 15% na Renault. De acordo com a agência Reuters, as duas fabricantes estão em negociações com funcionários do governo sobre as propostas do CEO da Renault-Nissan-Mitsubishi, o brasileiro Carlos Ghosn, para que a Nissan compre a maior parte da participação da França na Renault.

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O brasileiro Carlos Ghosn é o atual CEO da Aliança, da Renault e da Mitsubishi

Hoje a Renault tem 44,4% da Nissan e direitos de voto, enquanto a marca japonesa tem 15% da francesa (mesma participação do Estado francês), e nenhum direito a voto. Isso ocorre porque, em 1999, a Renault salvou a Nissan da falência. O plano dos japoneses é equilibrar o jogo, já que hoje eles vendem mais e são os mais lucrativos da Aliança. 

Oficialmente, executivos de ambas as marcas negam essas movimentações acionárias. Mas fontes ouvidas pela Reuters garantem que o objetivo é remover grandes acionistas que não sejam os próprios fabricantes, de forma a facilitar uma possível fusão total do Grupo, grande projeto de Carlos Ghosn antes de sua aposentadoria.

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Renault Alaskan, irmã da Nissan Frontier, chega ao Brasil no fim deste ano

De acordo com especialistas do setor automotivo, tudo conspira a favor de um movimento da Nissan sobre as ações do governo francês. De um lado, a Nissan está com os cofres recheados após anos de sucesso e crescimento nos grandes mercados globais. De outro, o governo liberal do presidente Emmanuel Macron, que não é partidário de grandes participação do Estado em empresas privadas. A chance está na mesa como nunca esteve.

 

Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

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