Ir para conteúdo

Chinesa Geely compra quase 10% da Mercedes-Benz

Você ainda vai ter um carro de origem chinesa, e talvez nem se dê conta disso

Por GLAUCO LUCENA

Você já ouviu falar da Geely? Ela esteve no mercado brasileiro recentemente, representada pelo Grupo Gandini, o mesmo que importa a coreana Kia Motors. Porém, ela mal chegou e foi logo sepultada pelo super-IPI de 30% para os importados. Vendeu apenas 1.300 carros por aqui. Se não ouviu falar da Geely, já ouviu muito falar da sueca Volvo. Pois saiba que a Geely é dona da Volvo desde 2010. E também da marca da Malásia Proton – e por tabela de sua controlada Lotus, lendária escuderia britânica.

Agora o conglomerado chinês é também o maior acionista individual da alemã Daimler, dona da Mercerdes-Benz e da Smart, entre outras marcas. O bilionário chinês Li Shufu (um dos 10 mais ricos daquele país, segundo a Forbes), dono da Geely, adquiriu na semana passada 9,69% das ações da centenária empresa alemã. Assim ele supera o então maior acionista, que era um fundo público do Kuwait, que detém  6,8% da Daimler. O terceiro na lista é a aliança Renault-Nissan, com 3,1%. A investida custou 7,2 bilhões de euros ao grupo chinês, segundo a Bolsa de Frankfurt.

carro_chines_01
O Lynk 01, com tecnologia Volvo, representa um novo modelo de negócio proposto pela chinesa Geely. Depois da Volvo e da Lotus, agora ela tem 10% da Daimler

Além de buscar o controle (e expertise) em marcas ocidentais, a maior aposta da Geely é a nova marca Lynk & Co, que vai chegar este ano è Europa e EUA. A ideia dessa marca não é vender carros, mas romper com o paradigma da propriedade. O plano é vender uma assinatura do carro, como se fosse um canal a cabo, um serviço de internet, um Netflix. O interessado poderá fazer um contrato pelo período que desejar. Horas, dias, meses ou anos. Poderá fazer tudo online ou em lojas-butique.

Esqueça impostos, manutenção, oficinas, burocracia. A empresa cuidará de tudo isso, e você nunca ficará sem carro dentro do período de assinatura. Poderá ainda compartilhar o carro por meio de um aplicativo, como se fora sua propriedade (a inspiração no serviço Airbnb é explícita). Por exemplo, enquanto estiver no trabalho. Basta marcar o horário de saída e seu carro estará de volta onde deixou, depois de ser usado ao longo do dia por outras pessoas. Isso reduzirá o custo da sua assinatura.

Clique no post do blog AutoBuzz, que revela os ousados planos chineses para o setor automotivo

Glauco Lucena Ver tudo

Paulistano, nascido em 1967, é jornalista, com formação em Ciências Sociais e MBA em Gestão de Negócios. Desde 1990 atua no setor automotivo. Trabalhou por 24 anos em redações de jornais, revistas e sites, entre eles Autoesporte (Editora Globo), Jornal do Carro (Estadão) e Carsale (UOL).

Recentemente, dentro do Grupo FCA, foi um dos responsáveis pela comunicação da Jeep durante os 3 anos do processo de relançamento da marca no Brasil. Hoje, atua como colunista, consultor, gerador de conteúdo e influenciador digital na área automotiva.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: